Sábado, Agosto 01, 2009

DANIEL NA COVA DOS LEÕES

As regiões Sul e Sudeste possuem clima mais propício para a sobrevivência do vírus H1N1 nesse período de inverno. Diferente de lugares como Maranhão e região Centro-Oeste. Isto foi constatado e divulgado no "Jornal Hoje" por esses dias.
A imprensa não fala de outra coisa. Até as aulas foram adiadas para o dia 10, no intuito de preservar os alunos das escolas municipais do Rio de Janeiro da gripe suína. É piada, né? Várias medidas deverão ser tomadas. Os alunos têm que lavar as mãos com água e sabonete várias vezes ao dia. Como? Se não há nem sabonete nos banheiros deles. Álcool em gel? Não tem nem xerox suficiente para atender a demanda de atividades. Professores precisam comprar álcool líquido do seu próprio salário para usar o mimeógrafo em pleno século XXI! Copos descartáveis? Não usar bebedouros e sim, galões de água. Quem vai arcar com isso? A prefeitura? Não recebemos ainda o reajuste salarial! Não há nem condições de trabalho adequadas nem merenda decente. Se o contágio da Influenza A acontecesse pela ingestão da carne de porco, poderíamos pegar outra gripe: a aviária! De tanto frango que somos obrigados a comer!
É necessário manter a sala de aula arejada. Porém, temos o seguinte dilema: Ou a porta fica aberta e o barulho dos corredores atrapalham a aula ou a classe fica no calor. Na verdade, os profissionais de educação irão para a cova dos leões. Deus proteja a todos os professores que terão que trabalhar mesmo com esse surto de gripe suína na cidade. As mães enviam seus filhos para a escola com pediculose (piolho), escabiose (sarna), conjutivite para não perder a bolsa-família! Já ouvi muito: "Minha mãe que me mandou pra escola pra eu não levar falta". A criança ardendo em febre ou com o olho inchado, vermelho e cheio de secreção. Você acha que vão ter o bom senso de deixar seus filhos em casa porque suspeitam de gripe suína? A preocupação aumenta porque meus pais são idosos e meu pai tem problemas respiratórios.
A partir do dia 10, é cada um por si e Deus por todos. E assim como a dengue nos assolou ano passado, agora é só esperar e torcer para que volte a dar praia.




1 comentários:

Sérgio disse...

A questão fundamental é até que ponto nosso sistema de saúde pública tão insuficiente em situações entendidas "normais", ou seja sem epidemias, consegue dar conta de um contexto epidêmico como o atual. Diante de uma realidade assim é que devemos mais do que nunca "torcer" para que o "tempo" melhore para "ajudar" no combate "natural" ao virus... Mas a insuficiência sistêmica da política de saúde não deve ser esquecida como problemática central quando defendemos que os recursos para esse setor, como para a Educação, tem sua quantidade e qualidade bem inferiores ao necessário.